Minha busca pela história da minha comunidade foi fantástica, pude descobrir muitas coisas
interessantes, das quais eu nem fazia ideia! As informações que encontrei são mais ou menos a
partir de 1930, e me surpreendi com o número de pessoas empreendedoras que já havia naquela
época na comunidade!
A comunidade não era muito grande, e era principalmente movida por atividades rurais, as
pessoas viviam da “terra”, cultivavam e plantavam para a sobrevivência e até comercializavam
alimentos produzidos como milho, mandioca, arroz... havia criadores de gado, e muitos dos
chamados “cambistas”, que faziam troca de gado e outras mercadorias. As pessoas eram muito
trabalhadoras e principalmente batalhadoras, a vida não era muito fácil, mas elas se viravam como
podiam e inovavam em muitos aspectos! Não havia energia elétrica, água encanada e basicamente
nenhum aparelho tecnológico. Rádio e TV vieram aparecer bem mais tarde, os meios de transporte
eram as carretas de boi, as carroças e o cavalo, o primeiro carro que surgiu na comunidade foi uma
grande festa e era uma novidade!
Havia na época, armazéns onde se vendia de tudo um pouco. Eram chamados “armazéns de
secos e molhados”, lá as pessoas podiam comprar, vender e até mesmo trocar mercadorias, que era a
prática mais comum. Funcionava da seguinte maneira: o agricultor cultivava algum tipo de
alimento, levava-o até o armazém e lá trocava o seu milho, por exemplo, por arroz, feijão, farinha,
entre outros. Era a forma mais comum de sobrevivência. Em alguns desses armazéns havia até
mesmo tecidos e roupas prontas! Outros, além de tudo isso ainda funcionavam como funerárias,
onde eram feitos caixões e até as roupas do defunto. Faziam de tudo um pouco para dar conta de
sustentar a família.
As dificuldades para estudar também eram muitas, desde pequenas as crianças já
trabalhavam no pesado, o tempo e as oportunidades de um aprendizado eram pequenos, mas as
pessoas não deixavam passar a oportunidade e a grande maioria lutava para adquirir o minimo que
fosse de conhecimento. Em 1930 não havia ainda escola na comunidade, mais tarde foram surgindo
algumas salas de aula, algumas professoras, mas eles enfrentavam muitas dificuldades, já que o
estado não enviava professores suficientes e nem um local adequado para a realização das aulas!
Havia uma rixa entre duas famílias importantes da localidade. De um lado José Pereira da
Rocha e sua esposa Maria Pereira, que queria colocar o nome da localidade de Miraguaia, já o
senhor José Peixoto queria chamar a localidade de Catanduvinha. Dona Maria Pereira era de
descendência alemã e isso fez com que ela “perdesse” a rixa, já que na época os alemães eram
ameaçados pelo governo devido à guerra e não podia haver pessoas no Brasil que falassem em
alemão. Como o senhor José Peixoto ameaçou denunciá-la, o nome da comunidade ficou como
Catanduvinha mesmo.
Hoje a comunidade ainda é pequena, mas já possui praticamente todos os recursos básicos
necessários. Talvez não tenha se desenvolvido mais devido à falta de pessoas com o mesmo espírito
empreendedor. Hoje muitas pessoas vão trabalhar fora, já que a forma de trabalho se baseia
atualmente em fábricas de rapadura, alguns, muito poucos, ainda vivem de algum tipo de
agricultura, mas em geral essas pessoas são mais velhas e já viveram assim a vida toda. Mas é muito
comum encontrar pessoas na lida do campo, com animais, e atividades rurais mesmo em tempos de
atuais!
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