terça-feira, 5 de abril de 2011

Catanduvinha... minha comunidade!

Minha busca pela história da minha comunidade foi fantástica, pude descobrir muitas coisas
interessantes, das quais eu nem fazia ideia! As informações que encontrei são mais ou menos a
partir de 1930, e me surpreendi com o número de pessoas empreendedoras que já havia naquela
época na comunidade!
A comunidade não era muito grande, e era principalmente movida por atividades rurais, as
pessoas viviam da “terra”, cultivavam e plantavam para a sobrevivência e até comercializavam
alimentos produzidos como milho, mandioca, arroz... havia criadores de gado, e muitos dos
chamados “cambistas”, que faziam troca de gado e outras mercadorias. As pessoas eram muito
trabalhadoras e principalmente batalhadoras, a vida não era muito fácil, mas elas se viravam como
podiam e inovavam em muitos aspectos! Não havia energia elétrica, água encanada e basicamente
nenhum aparelho tecnológico. Rádio e TV vieram aparecer bem mais tarde, os meios de transporte
eram as carretas de boi, as carroças e o cavalo, o primeiro carro que surgiu na comunidade foi uma
grande festa e era uma novidade!
Havia na época, armazéns onde se vendia de tudo um pouco. Eram chamados “armazéns de
secos e molhados”, lá as pessoas podiam comprar, vender e até mesmo trocar mercadorias, que era a
prática mais comum. Funcionava da seguinte maneira: o agricultor cultivava algum tipo de
alimento, levava-o até o armazém e lá trocava o seu milho, por exemplo, por arroz, feijão, farinha,
entre outros. Era a forma mais comum de sobrevivência. Em alguns desses armazéns havia até
mesmo tecidos e roupas prontas! Outros, além de tudo isso ainda funcionavam como funerárias,
onde eram feitos caixões e até as roupas do defunto. Faziam de tudo um pouco para dar conta de
sustentar a família.
As dificuldades para estudar também eram muitas, desde pequenas as crianças já
trabalhavam no pesado, o tempo e as oportunidades de um aprendizado eram pequenos, mas as
pessoas não deixavam passar a oportunidade e a grande maioria lutava para adquirir o minimo que
fosse de conhecimento. Em 1930 não havia ainda escola na comunidade, mais tarde foram surgindo
algumas salas de aula, algumas professoras, mas eles enfrentavam muitas dificuldades, já que o
estado não enviava professores suficientes e nem um local adequado para a realização das aulas!
Havia uma rixa entre duas famílias importantes da localidade. De um lado José Pereira da
Rocha e sua esposa Maria Pereira, que queria colocar o nome da localidade de Miraguaia, já o
senhor José Peixoto queria chamar a localidade de Catanduvinha. Dona Maria Pereira era de
descendência alemã e isso fez com que ela “perdesse” a rixa, já que na época os alemães eram
ameaçados pelo governo devido à guerra e não podia haver pessoas no Brasil que falassem em
alemão. Como o senhor José Peixoto ameaçou denunciá-la, o nome da comunidade ficou como
Catanduvinha mesmo.
Hoje a comunidade ainda é pequena, mas já possui praticamente todos os recursos básicos
necessários. Talvez não tenha se desenvolvido mais devido à falta de pessoas com o mesmo espírito
empreendedor. Hoje muitas pessoas vão trabalhar fora, já que a forma de trabalho se baseia
atualmente em fábricas de rapadura, alguns, muito poucos, ainda vivem de algum tipo de
agricultura, mas em geral essas pessoas são mais velhas e já viveram assim a vida toda. Mas é muito
comum encontrar pessoas na lida do campo, com animais, e atividades rurais mesmo em tempos de
atuais!

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