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| Dona Elsa é filha de José Pereira da Rocha e me concedeu a entrevista sobre seu pai. |
Em minha pesquisa pela história da Comunidade de Catanduvinha, comparei-me
com um nome que foi a peça-chave para o desenvolvimento da comunidade: José Pereira
da Rocha, mais conhecido como Zeca Pereira.
Tive o privilégio de conversar com sua filha, Elsa Borges Lima que passou toda a
sua vida nesse lugar e me contou muitas coisas a respeito se seu pai, José Pereira da
Rocha. A dona Elsa se encontra hoje lúcida já com 92 anos, tivemos um feliz e agradável
encontro onde ela me relatou fatos interessantes a respeito do desenvolvimento da
comunidade.
A comunidade de Catanduvinha localiza-se no interior de Santo Antônio da
Patrulha, há 15 quilômetros da cidade, caracteriza-se por ser um lugar calmo, com muito
campo, que baseia suas atividades econômicas em lida com gado, plantações, produção
de leite, fabricação de rapadura, enfim, atividades típicas rurais.
José Pereira da Rocha se destaca pelo fato de estar envolvido em muitas
atividades que proporcionaram o progresso da comunidade. Teve uma família grande,
com 10 filhos, era querido e bem visto por todos.
Em 1930 ele já possuía espírito empreendedor, visava o bem e o desenvolvimento
de sua comunidade. Foi um grande produtor de arroz, desde a plantação até a condição
de consumo era tudo feito em seu moinho aqui em Catanduvinha mesmo, produzia
também farinha de milho, tinha um armazém de secos e molhados em geral, criava gado,
tinha uma serraria para trabalhar a madeira, um caminhão para transporte de seus
produtos e também da madeira produzida. O primeiro rádio, a primeira televisão, o
primeiro poço artesiano que puxava água manualmente eram de José Pereira da Rocha.
Foi ele também quem teve o primeiro gerador de luz elétrica movido à óleo. E o que dizer
de um carro de luxo da época, o aero willys foi um sucesso na comunidade e pertencia ao
seu Zeca Pereira.
José Pereira da Rocha não possuía simplesmente tudo isso só pra ele e sua
família, e é aqui onde entra o seu papel no crescimento da comunidade.
Em seu moinho de arroz e de milho, ele também preparava o arroz e a farinha de
produtores menores da redondeza, eles traziam o arroz colhido e trocavam por arroz
pronto para o consumo, ou até mesmo por outros alimentos que ele comercializava em
seu armazém. Gerava muitos empregos por ter várias atividades econômicas. Ninguém
vinha até o armazém sem levar nada para casa, se não tinha dinheiro trocava por outros
produtos ou até por trabalho. Era dono de muitas terras e as emprestava para as pessoas
plantarem sem cobrar nada por isso, emprestava também seu próprio gado e materiais
como arado, para cultivar a terra e deixá-la própria para o consumo. Em sua própria
casa tinha uma sala especial, com 8 camas para hospedar os viajantes que passavam
pela comunidade para realizar negócios. Era muito católico, chegou a ler a bíblia duas
vezes, era muito comum encontrá-lo estudando a Bíblia. Ele também sonhava em dar
estudos a seus filhos, e foi dele que partiu a ideia de contratar professores que vinham de
Porto Alegre para lecionar para todas as crianças da comunidade.
Os professores se hospedavam em sua casa e ele pagava todas as despesas,
porque sabia da falta que a educação faria para o desenvolvimento de seu lugar e queria
que todas as crianças tivessem acesso ao ensino. Mais tarde, o estado pagava as
professoras e alugou um galpão velho de se Zeca Pereira como “escola”. O aluguel era
bem baixo e levava muito tempo a receber, quando conseguia.
Pensava pra frente, no desenvolvimento da sociedade. Tinha uma boa visão de
futuro e sabia que precisava fazer algo para que as coisas mudassem de rumo. Doou um
terreno para a construção da igreja e um também para a construção da escola.
Teve uma família grande, com 10 filhos, gerou muitos empregos na comunidade.
Inclusive foi o seu Zeca Pereira que contratou como professora de seus filhos Olinda Bier
Gil.
Hoje a escola tem o seu nome, já que foi ele o maior interessado em trazer
educação básica para sua comunidade.
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| Rosa e Elsa, neta e filha de Zeca Pereira |
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| Maria e José Pereira da Rocha |
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| Na escola há uma sala em homenagem a José Pereira da Rocha |
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| Foto, Bíblia e lupa que perteciam a José Pereira da Rocha. |
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| A escola de Catanduvinha tem o seu nome |
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| A escola hoje. |